quarta-feira, 3 de abril de 2013

Questões sobre gêneros literários

Gêneros Literários é um assunto muito abordado tanto na UERJ quanto no ENEM. Por isso, se você está se preparando para fazer essas provas, aproveite este material que disponibilizamos para você: são 15 questões abordando o assunto gêneros literários. Aproveite para estudar. Resolva as questões e se mantenha sempre a frente de seus concorrentes. Não perca tempo. Bons estudos!




A questão refere-se ao texto seguinte:

Na minha opinião, existe no Brasil, em permanente funcionamento, não fechando nem para o almoço, uma Central Geral de Maracutaia. Não é possível que não exista. E, com toda a certeza, é uma das organizações mais perfeitas já constituídas, uma contribuição inestimável do nosso país ao patrimônio da raça humana. Nada de novo é implantado sem que surja no mesmo instante, às vezes sem intervalo visível, imediatamente mesmo, um esquema bem montado para fraudar o que lá seja que tenha sido criado. [...] Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, mas podia ser em qualquer outra cidade do país, porque a CGM é onipresente, não deixa passar nada, nem discrimina ninguém. Segundo me contam aqui, a prefeitura de São Paulo agora fornece caixão e enterro gratuitos para os doadores de órgãos, certamente os mais pobres. Basta que a família do morto prove que ele doou pelo menos um órgão, para receber o benefício. Mas claro, é isso mesmo, você adivinhou, ser brasileiro é meramente uma questão de prática. Surgiram indivíduos ou organizações que, mediante uma módica contraprestação pecuniária, fornecem documentação falsa, “provando” que o defunto doou órgãos, para que o caixão e o enterro sejam pagos com dinheiro público.
(João Ubaldo Ribeiro. O Estado de S. Paulo, 18.9.2005.)

1) (UFSCar-SP) O trecho — a CGM é onipresente, não deixa passar nada, nem discrimina ninguém. — pode ser reescrito, sem alteração de sentido, como:

a) a CGM é sempre presente, não deixa passar nada, nem inocenta ninguém.
b) a CGM é ubíqua, não deixa passar nada, nem absolve ninguém.
c) a CGM é virtual, não deixa passar nada, nem exclui ninguém.
d) a CGM é quase presente, não deixa passar nada, nem distingue ninguém.
e) a CGM está presente em todo lugar, não deixa passar nada, nem segrega ninguém.


2) (FEI-SP)


O momento do amor
João do Rio

01 O conselheiro é um homem encantador. Baudelaire dizia: “Cá temos um homem que fala 
02 do seu coração – deve ser um canalha”. O conselheiro não fala do seu coração, mas é um 
03 homem sensível. Com 75 anos, teso, bem vestido, correto, possuidor de doze netos e cinco 
04 bisnetos, a sua conversa é sempre cheia de alegria e de mocidade. Outra noite, estávamos 
05 no seu salão, e de repente rompeu na rua um “zé-pereira”. 
06 O conselheiro exclamou: 
07 – Eh! Eh! As coisas esquentam! 
08 Como o conselheiro é idoso, pensei vê-lo atacar os costumes e o carnaval. Para gozar da 
09 sua simpatia, refleti: 
10 – Temos cada vez mais a dissolução da moral! 
11 – Quem lhe fala nisso? – indagou o conselheiro. Talvez por ter sido sempre um homem 
12 moral nunca precisei de descompor os costumes para julgar-me sério. Sabe o que eu sinto 
13 quando ouço um “zé-pereira”? 
14 – Francamente, conselheiro... 
15 – Sinto que chega o grande momento do amor no rio... 
16 – De fato, a liberdade dos costumes. 
17 – Heim? 
18 – Sim, os préstitos, as cortesãs, a promiscuidade, as meninas de pijama cantando versos 
19 pouco sérios, os lança-perfumes, a bacanal...
20 – Meu filho, quando se chega a uma certa idade, o resultado é tudo. Se quisermos ver nos 
21 três dias de carnaval a folia como depravação, posso garantir que as brincadeiras de antanho 
22 com o entrudo, os banhos d'água fria, o porta-voz eram livres como as de hoje com os lança- 
23 perfumes, os confetes e as serpentinas. Mas não se trata disso. Trata-se de coisa mais séria. 
24 Eu casei aos 18 anos, isto é, há quase 58 anos fiz a loucura de tomar por esposa a minha 
25 querida Genoveva. Mas, passado o primeiro ano, essa alucinação causou-me tal pasmo que 
26 resolvi estudar-lhe as causas. E descobri. 
27 – Quais foram? 
28 – Uma só: o momento do amor! 
29 – Conselheiro! 
30 – Há uma época no Rio absolutamente amorosa, quer no tempo da monarquia, quer na 
31 República. Consultei estatísticas, observei, indaguei, procedi a inquéritos pessoais... Sabe qual 
32 é essa época? A do carnaval! Note você como aumentam os casamentos nos meses seguintes 
33 ao carnaval. A maioria das inclinações, dos namoros que terminam em casório, começam no 
34 carnaval. Três meses depois estava casado. Cinco dos meus filhos namoraram no carnaval. 
35 Minha filha Berenice com 30 anos arranjou o marido que lhe faz a vida feliz, no carnaval. Nove 
36 dos meus netos seguiram a regra... 
37 – Mas, conselheiro, se é verdade o que V. Exa. diz, era o caso de fazer uns quatro 
38 carnavais por ano... 
39 – Não daria resultado, meu amigo. O carnaval é uma embriaguez d´alegria. Quem se 
40 embriaga uma vez por ano não está acostumado. Quem se embriaga quatro, raciocina na 
41 bebedeira. Veneza acabou pelo abuso da máscara. Nós acabaríamos pelo abuso do “zé- 
42 pereira”. Mas uma vez por ano é bem o verão impetuoso do desejo, o momento do amor. 
43 Depois suspirando: 
44 – Aproveite-o você. Eu infelizmente não posso mais. A velhice é como o maître d'hotel da 
45 vida. Indica ao cliente o prato ótimo do cardápio e não o come.


O texto pertence ao gênero conhecido por:

a) conto
b) romance
c) crônica
d) reportagem
e) novela

3) (Enem)

Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a representação. A palavra vem do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.

COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973. (Adaptado.)

Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que:

a) a criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenômeno de ordem individual, pois não é possível sua concepção de forma coletiva.
b) o cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.
c) o texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros textuais, como contos, lendas, romances, poesias, crônicas, notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros.
d) o corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais importante é a expressão verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até os dias atuais.
e) a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de produção/recepção do espetáculo teatral, já que se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posteriormente à cena teatral.


4) (Fuvest-SP) Considere a seguinte relação de obras: Auto da barca do inferno, Memórias de um sargento de milícias, Dom Casmurro e Capitães da areia. Entre elas, indique as duas que, de modo mais visível, apresentam intenção de doutrinar, ou seja, o propósito de transmitir princípios e diretivas que integram doutrinas determinadas. Divida sua resposta em duas partes: 
a), para a primeira obra escolhida e 
b), para a segunda obra escolhida, conforme já vem indicado na respectiva página de respostas. Justifique sucintamente cada uma de suas escolhas.


5) (Uepa) Leia os comentários abaixo sobre os contos No Moinho, de Eça de Queirós, O Rebelde, de Inglês e Sousa e a peça teatral Fr. Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Analise-os e assinale aqueles que contêm somente afirmações corretas.

a) Os realistas-naturalistas que viveram em uma época de forte expansão da racionalidade científica, produziram, às vezes, personagens idealizados, como Paulo da Rocha, de O Rebelde, contrariando o que a observação racional do comportamento humano revela, a saber, que não há ninguém absolutamente perfeito.
b) D. Maria da Piedade, do conto No Moinho, é uma personagem adequada à racionalidade correspondente ao avanço tecnológico de fins do século XIX, de vez que suas avaliações da realidade são coerentes, como a que faz do praticante da botica, seu amante.
c) As opiniões das personagens de Fr. Luís de Sousa são fundadas em dados racionais, como a de Telmo Pais que garante o retorno de D. João de Portugal com base na carta em que ele afirma voltar um dia “vivo ou morto”.
d) D. Maria de Noronha é a única personagem de Fr. Luís de Sousa que se recusa a analisar a realidade a partir de fundamentos religiosos.
e) Os romances escritos por Adrião, no conto No Moinho, ajudam D. Maria da Piedade a ter uma visão dos fatos alicerçada naquele tipo de razão que fundamenta o conhecimento tecnológico.

6) A narração possui alguns elementos essenciais. Entre estes, temos o clímax e o desfecho. Escreva a diferença entre eles.



7) A que gênero literário pertence o poema abaixo? Justifique sua resposta.

A rua dos cataventos Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
(Mário Quintana)

A questão seguinte toma por base a Tragédia em um ato, assinada pelo escritor, tradutor e desenhista Millôr Fernandes (1924-) e publicada pela primeira vez em “O pif-paf” (O Cruzeiro, 1945).


O capitalismo mais reacionário
Tragédia em um ato
Personagens: o patrão e o empregado
Época: atual
Ato Único


EMPREGADO – Patrão, eu queria lhe falar seriamente. Há quarenta anos que trabalho na empresa e até hoje só cometi um erro.
PATRÃO – Está bem, meu filho, está bem. Mas de agora em diante tome mais cuidado. (Pano rápido)
In: FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Rio de Janeiro: Nórdica, 1974. p. 15.

8) (Vunesp) Essa tragédia-relâmpago de Millôr Fernandes, denominada O capitalismo mais reacionário, mobiliza o campo da sugestividade e, num clima de aparente humorismo, libera todo um universo de conceitos, situações e costumes subentendidos. Releia o texto apresentado e, na sua interpretação, responda:

a) O que está subentendido no discurso direto do patrão?
b) Por que este texto pode ser entendido como crítica de costumes?

9) (Vunesp) A tragédia, no sentido clássico, é uma obra fortemente dramática, inspirada na lenda ou na história, e que põe em cena personagens envolvidos em situações que desencadeiam desgraças. Em sua função poética, destina-se também a infundir o terror e a piedade. Considerando essa definição, releia o texto de Millôr Fernandes e, a seguir:


a) interprete por que apenas esse diálogo entre os dois personagens poderia caracterizar uma tragédia, segundo o autor;
b) interprete um sentido conotativo da expressão “meu filho”, nas palavras do personagem patrão.


10) (UFG) Leia as estrofes do poema “O prato azul-pombinho”, de Cora Coralina.

Minha bisavó – que Deus a tenha em glória –
sempre contava e recontava em sentidas recordações
de outros tempos
a estória de saudade
daquele prato azul-pombinho.
Era uma estória minuciosa.
Comprida, detalhada.
Sentimental.
Puxada em suspiros saudosistas
E ais presentes.
E terminava, invariavelmente,
depois do caso esmiuçado:
“– Nem gosto de lembrar disso...”
É que a estória se prendia
Aos tempos idos em que vivia
Minha bisavó
Que fizera deles seu presente e seu futuro.
[...]
CORALINA, Cora. Melhores poemas de Cora Coralina. Seleção de Darci F. Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 47.


De acordo com a leitura dos fragmentos, explicite:
a) A lembrança a que o eu poético faz alusão.
b) Como são construídos os traços épico e lírico.

11) (UCS) Leia o poema “Canção excêntrica”, de Cecília Meireles.

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
 – saudosa do que não faço,
– do que faço, arrependida.


MEIRELES, Cecília. Flor de poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003, p. 80.

Em relação ao poema transcrito, analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) das proposições abaixo. 
( ) Em sua busca de um espaço para o "desenho da vida", o eu-poético sente-se desmotivado. 
( ) O título “Canção excêntrica” aponta para a incapacidade de o sujeito lírico centrar-se, encontrando a si mesmo. 
( ) O sujeito poético expressa um sentimento de insatisfação em relação às coisas que faz e às que deixa de fazer.

Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo. 

a) V – F – F 
b) V – F – V 
c) V – V – V 
d) F – F – V 
e) F – F – F

12) (PUC-RS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão seguinte, leia o fragmento de Machado de Assis, de 1866, e o poema de Mario Quintana, de 1940, e analise as afirmativas.

TEXTO A

A explicação da minha recusa e do desamor com que eu via a minha prima estava no meu gênio solitário e contemplativo. Até aos quinze anos fui tido por idiota; dos quinze aos vinte chamavam-me poeta; e, se as palavras eram diferentes, o sentido que a minha família lhes dava era o mesmo. Era pouco de ser estimado um moço que não comungava nos mesmos passatempos da casa e via correr as horas na leitura e nas digressões pelo mato.

TEXTO B

Eu nada entendo da questão social.
Eu faço parte dela, simplesmente...
E sei apenas do meu próprio mal,
Que não é bem o mal de toda a gente,
Nem é deste Planeta... Por sinal
Que o mundo se lhe mostra indiferente!
E o meu Anjo da Guarda, ele somente,
É quem lê os meus versos afinal...
E enquanto o mundo em torno se esbarronda.
Vivo regendo estranhas contradanças
No meu vago País de Trebizonda...
Entre os Loucos, os Mortos e as Crianças.
É lá que eu canto, numa eterna ronda,
Nossos comuns desejos e esperanças!...

I. O uso da primeira pessoa está de acordo com a temática dos textos, relacionada à afirmação da individualidade. 
II. Os dois autores expressam uma atitude crítica ante os interesses sociais que anulam os valores humanos. III. Em contextos sociais muito distantes no tempo, os autores expressam, em gêneros diferentes, seu posicionamento.

Pela análise das afirmativas, conclui-se que está/estão correta(s):
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) I, II e III.

13) (Enem) No poema “Procura da poesia”, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escultor Michelângelo fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação. 

(…)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(…)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
trouxeste a chave?

ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-4.

Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:
a) a nostalgia do passado colonialista revisitado.
b) a preocupação com o engajamento político e social da literatura.
c) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos.
d) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética.
e) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria.

INSTRUÇÃO: Leia a letra do samba-canção Escultura, de Adelino Moreira (1918-2002) e Nelson Gonçalves (1919-1998) e responda a questão.

Escultura
Cansado de tanto amar,
Eu quis um dia criar
Na minha imaginação
Uma mulher diferente
De olhar e voz envolvente
Que atingisse a perfeição.
Comecei a esculturar
No meu sonho singular
Essa mulher fantasia.
Dei-lhe a voz de Dulcineia,
A malícia de Frineia
E a pureza de Maria.
Em Gioconda fui buscar
O sorriso e o olhar,
Em Du Barry o glamour,
E, para maior beleza,
Dei-lhe o porte de nobreza
De madame Pompadour.
E assim, de retalho em retalho,

Terminei o meu trabalho,
O meu sonho de escultor,
E, quando cheguei ao fim,
Tinha diante de mim
Você, só você, meu amor.

MOREIRA, Adelino; GONÇALVES, Nelson. Escultura. In: Nelson Gonçalves. A volta do boêmio. Sonopress BMG Ariola, São Paulo, 1996.

14) (Unesp) O ritmo dos versos em língua portuguesa é obtido pela alternância de sílabas fracas e fortes ao longo de cada verso e da estrofe. Essa alternância faz com que versos de sete sílabas, como os da letra de Nelson Gonçalves, tenham normalmente três sílabas fortes, embora não seja raro apresentarem apenas dois ou até mesmo mais de três acentos em seu curso. Levando este fato em consideração, aponte, na última estrofe da letra, o verso em que a maior concentração emocional é marcada por uma maior ocorrência de sílabas fortes.

Aula de portuguêsA linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.

15) (Enem) Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em:
a) situações formais e informais.
b) diferentes regiões do país.
c) escolas literárias distintas.
d) textos técnicos e poéticos.
e) diferentes épocas.



GABARITO:
01: E.
02: C.
03: C.
04: 1.ª obra escolhida: a) O Auto da Barca do Inferno é informado por princípios da moral cristã, pelos quais são julgados os comportamentos dos mortos prestes a embarcar, no “cais das almas”, para o mundo post-mortem, em que serão punidos ou recompensados.
2.ª obra escolhida: b) Capitães da Areia é um romance em que se faz a apologia da revolução socialista como panaceia para as injustiças sociais decorrentes do regime capitalista. É uma obra que busca o “engajamento” na luta social, tendo sido por isso proibida durante o Estado Novo. A intenção de doutrinar politicamente o leitor é recorrente, como exemplifica o final: “E, apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família”.
05: A.
06:
Clímax: o narrador cria uma situação que vai, progressivamente, aumentando sua dramaticidade até chegar ao clímax, ou seja, ao ponto máximo. Desfecho: momento que recebe o clímax, no qual se finaliza a história e cada personagem segue seu "destino".
07:
O poema pertence ao gênero lírico, pois o autor escreve em primeira pessoa (é subjetivo), explora a musicalidade entre as palavras, expressa seu mundo interior, suas emoções idéias e impressões. Obs.: ressaltar que Mário Quintana versa sobre as coisas simples da vida com um lirismo ímpar e com uma fina ironia e sarcasmo.
08:
a) Embora aparentemente o patrão se mostre compreensivo e paternal, no fundo há, em sua fala, uma severa advertência ao empregado (ele afirma que o empregado é descuidado, desatento), advertência desnecessária se forem considerados os quarenta anos de dedicação e um erro cometido.
b) Millôr Fernandes faz uma crítica ao comportamento do capitalista, o que nos remete ao título: o patrão é típico representante do capitalismo mais reacionário, primitivo, atrasado.
09:
a) O diálogo está centrado em um conflito, existe a representação de uma situação que pode desencadear desgraça; para o leitor sensível, a cena pode infundir o terror e a piedade.
b) Conotativamente, a expressão “meu filho” deve ser entendida como manifestação da postura aparentemente paternalista que o patrão assume.
10:
a) o prato azul-pombinho OU: a quebra do prato azul-pombinho, última peça do aparelho de jantar da família. b) o épico é construído pelo ato de a bisavó contar e recontar estórias minuciosas, compridas e detalhadas de outros tempos. O lírico é construído sob ótica subjetiva. OU: o lírico é construído pelas estórias que eram contadas por recordações saudosas. OU: o lírico é construído pelo passado que se mescla ao presente e ao futuro.
11: C
12: E
13: C
14:
O último verso da estrofe é o que apresenta maior concentração emocional e ritmo forte (trata-se do gran finale, do “verso de ouro” da música): das cinco palavras que o formam, temos três oxítonas e um monossílabo tônico, ou seja, palavras de prosódia forte.
15: A


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Sobre o autor

Professor Mestre em Letras e Ciências Humanas. Leciona Português Jurídico na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro; além disso, trabalha com Criatividade e Comunicação em cursos de Graduação. Prepara pessoas para concursos públicos e vestibulares, desenvolvendo a capacidade de leitura, compreensão e interpretação de textos complexos. Saiba mais



 
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